A Doença no Homem
| A leishmaniose é uma doença complexa, amplamente distribuída, que afeta o homem e que tem sido historicamente reconhecida há muito tempo. Possui alta prevalência com 12 milhões de casos em todo o mundo e 1,5 a 2 milhões de novos casos surgindo a cada ano. Embora o homem seja freqüentemente portador assintomático, a doença pode assumir duas formas clinicas: cutânea, que pode ocorrer na forma mucocutânea, e a forma visceral. |
Distribuição mundial da leishmaniose humana |
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Garoto brasileiro com a forma cutânea da doença |
A leishmaniose cutânea é a forma mais comum, sendo responsável por 50 a 75% dos casos novos a cada ano. A doença é geralmente causada por L. major e L. tropica no Velho Mundo e por L. mexicana e L. braziliensis no Novo Mundo. A forma cutânea se apresenta como lesões nodulares não-ulcerativas, localizadas ou disseminadas, encontradas principalmente na face, braços e pernas. As lesões podem resultar em deficiência física e cicatrizes permanentes. Noventa por cento dos casos ocorrem na África e América do Sul. Somente os casos mais severos da doença cutânea requerem tratamento. A forma mucocutânea ocorre freqüentemente como uma doença metastática em meses ou anos após a ocorrência da forma cutânea e resulta em cicatrizes desfigurantes na face, afetando as membranas mucosas do nariz, boca e garganta. A forma mucocutânea ocorre predominantemente na América do Sul e requer tratamento. |
| A Leishmaniose visceral, também conhecida como "Febre Negra" ou Kala-Azar, é a forma mais grave e pode ser fatal se não tratada. Os agentes etiológicos mais comuns são a L. donovani, primariamente encontrada na Índia, Bangladesh e Sudão; L. chagasi e L. infantum, encontradas no Brasil e paises mediterrâneos. A leishmaniose visceral ocorre predominantemente em crianças e também como infecção oportunista em pacientes imunossuprimidos como aqueles infectados por HIV. Os sinais clínicos são inespecíficos e incluem anorexia, febre, emagrecimento, hepatoesplenomegalia, epistaxe, diarréia e tosse. Os achados laboratoriais incluem anemia, hiperglobulinemia, hipoalbuminemia, leucopenia e trombocitopenia. |
Hepato-esplenomegalia em um garoto brasileiro de 4 anos de idade com leishmaniose visceral |
| Um diagnóstico preciso é essencial para a determinação do tratamento. Para isso são necessárias análises parasitológicas e imunológicas. Historicamente os antimoniais pentavalentes têm sido utilizados como primeira opção de tratamento. A anfotericina B e pentamidina também são reconhecidos como agentes terapêuticos eficazes. Devido à natureza complexa da doença cada caso deve ser avaliado e tratado levando-se em consideração características individuais. | |