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Peste Suína Clássica | Epidemiologia

A densidade populacional dos suínos, bem como a presença de porcos silvestres em determinada área, são fatores importantes que influenciam a epidemiologia da PSC.

Causas mais comuns de surtos

A probabilidade de propagação da doença é maior em áreas com alta densidade populacional suína.

Considerando-se que porcos silvestres e suínos domésticos são igualmente susceptíveis à doença, PSC endêmica em porcos silvestres é um reservatório importante do vírus para suínos domésticos. Frequentemente os surtos têm início quando suínos domésticos entram em contato com material infectado originado de porcos silvestres.

Alimentação de suínos domésticos ou porcos selvagens com lavagem é um fator predisponente importante para a infecção.

Situação global

América do Norte – Os EUA e o Canadá estão livres de PSC sem vacinação. O México tem três áreas distintas: (i) os estados do norte e a península de Yucatan estão livres de PSC sem vacinação; (ii) a parte central foi designada como área de erradicação, onde a vacinação foi proibida e (iii) o sul do país foi designado como área de controle, onde a doença é endêmica e a vacinação é praticada continuamente.

América Central – Belize e o Panamá estão livres da doença. PSC é endêmica nos demais países, onde a doença é controlada através de vacinação. PSC está presente em 3 países do Caribe: Cuba, Haiti e República Dominicana.

Brasil – Um programa para a erradicação da PSC foi implantado no Brasil em 1992. O programa foi delineado para alcançar a erradicação de forma progressiva, começando pelas áreas onde a produção suína é mais intensa. O país foi dividido em três áreas: (i) estados do sul, que estão livres da doença sem vacinação; (ii) estados com população suína relativamente grande, onde a PSC permanecia endêmica e a vacinação passou a ser obrigatória e (iii) o restante do país, onde a produção suína não é significativa e a vacinação não passou a ser obrigatória. Os estados do sul permaneceram livres de PSC até 1997, quando houve notificação de um surto. Medidas rigorosas de controle foram adotadas e desde então não houve novos casos. O sucesso do programa levou o Ministério da Agricultura a proibir a vacinação contra PSC no país todo a partir de 1998, mas a proibição foi seguida de aumento do número de surtos na região nordeste (veja tabela abaixo), levando à retomada da utilização de vacinação em estados do nordeste, exceto Bahia e Sergipe, em 2001. Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, foram declarados livres de PSC.

Brasil político. Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul são livres de PSC.

Dados sobre ocorrência de PSC no Brasil
Ano

surtos

casos

Mortes

1996

16

71

55

1997

9

974

291

1998

1

8

8

1999

1

111

111

2000

4

168

119

Fonte: OIE.

Países da América do Sul com exceção do Brasil – Não há relatos de PSC no Uruguai desde 1991 nem no Chile desde 1996, mas PSC permanece enzoótica na maioria dos países da América do Sul. Programas de controle têm sido adotados pela Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai. Estes programas incluem vacinação, testes laboratoriais, eliminação de toda a população de rebanhos infectados, quarentena, controle de trânsito e restrições às importações.

União Européia (UE) – Um programa oficial de controle foi estabelecido em 1980 visando a erradicação completa da PSC na UE, mas apesar de 19 anos de uma política rigorosa de controle, a obtenção da erradicação completa parece pouco provável. A infecção endêmica de porcos silvestres na UE representa um fator de risco muito importante para o desencadeamento de surtos em suínos domésticos. Embora a incidência de PSC possa ser baixa durante longos períodos, surtos ocasionais que se tornam uma epidemia extensa, como a ocorrida na Holanda em 1997, fazem com que as práticas de controle tornem-se muito onerosas. Além disso, nessas condições, a imposição de medidas rigorosas de controle pode tornar-se muito difícil na prática.

Leste Europeu (LE) – A proibição da vacinação tem sido adotada em poucos países do LE, a saber: República Tcheca, Estônia, Hungria e Polônia, enquanto na maioria do LE o controle é baseado em vacinação. Os métodos usados para diagnóstico e controle da PSC dependem muito da situação econômica de cada país individualmente.

Asia - O Japão iniciou um programa de erradicação em 1996 e, desde então, não houve relatos de PSC. O programa consiste de três fases: (i) durante os primeiros 2 anos o controle foi baseado em vacinação; (ii) durante os 2 anos seguintes foi estabelecida uma área livre de PSC e (iii) a última fase, com duração de 1 ano, quando a vacinação foi interrompida. Em contraste com o que acontece no Japão, surtos de PSC ainda ocorrem regularmente na maioria dos países do sudeste asiático. A situação na China continental e na Coréia do Norte não é conhecida.

Austrália e Nova Zelândia – Livres de PSC.

África – Situação desconhecida.

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