Vias de transmissão de agentes de doenças infecciosas

O modo de introdução de uma doença exótica animal vai depender da via de transmissão de um dado agente. Portanto, o modo de introdução de um dado patógeno vai depender se é transmitido horizontalmente de animal para animal, ou verticalmente, dos pais para a prole; se um hospedeiro intermediário ou vetor é requerido para a transmissão, o grau de persistência do patógeno no ambiente, e se o agente de doença é imediatamente infeccioso ou requer tempo no ambiente para se desenvolver para um estágio infeccioso.

Transmissão horizontal é a transferência de um patógeno de um animal infectado para um animal sadio, independente do relacionamente de parentesco daqueles indivíduos. Transmissão vertical é a transferência de um patógeno de um dos pais, geralemente a mãe, para a prole através da reprodução.

 

Transmissão horizontal

A transmissão horizontal pode ocorrer por contato direto ou indireto. Agentes de doença pode ser transferidos por contato direto através de ações como lamber, esfregar, morder, e o coito. Um exemplo de transmissão horizontal por contato direto é o vírus da Peste Suína, o agente causal da Peste Suína Clássica (PSC). Esse vírus é transmitido de porco para porco primariamente por contato oral com sangue, tecido, e secreções. O método mais comum de introdução dessa doença é misturando porcos infectados com não infectados, portanto, shows de rebanhos e leilões são dois locais de alto risco para adquirir infecção. Alimentar porcos com restos de comida crua ou mal cozida, também pode contribuir para alastrar o vírus.

Transmissão pelo o ar é considerada outra forma de transmissão direta horizontal porque agentes patogênicos contidos em aerossóis geralmente não sobrevivem por longos períodos nas partículas, e portanto, a proximidade de indivíduos infectados e susceptíveis não infectados é necessário para a transmissão. Um exemplo clássico de uma doença que utiliza a transmissão por aerossóis é a Influenza Aviária. O vírus que causa a Influenza Aviária é transmitido através do ar quando aves estão em contato próximo.

O contato direto pode ser com um animal infectado dentro do mesmo grupo ou com um animal de uma população de reservatórios. Hospedeiros reservatórios servem como habitat para o patógeno sobreviver e pode ou não se tornar doente pela infecção.

O contato indireto via vetores ou fômitos também permite a transmissão de agentes de doença. O termo vetor é algumas vezes usado num sentido brando, significando qualquer coisa que permite o transporte e/ou a transmissão de patógenos. Contudo, de acordo com uma definição ecológica rigorosa, transmissão por vetor ocorre quando uma criatura viva, devido ao seu relacionamento ecológico com outros, adquire um patógeno de um hospedeiro vivo e transmite-o para outros. Portanto, transmissão por vetor é uma forma de transmissão horizontal indireta em que um intermediário biológico, geralmente um artrópodo, carrega o agente de doença entre animais.

Vetores podem ser biológicos ou mecânicos. Um vetor biológico é um vetor que ajuda na replicação de um patógeno. O agente de doença e o vetor biológico são considerados como tendo um relacionamento ecológico duradouro. Vetores biológicos são geralmente infectados repetidamente pelo agente e pode até ser essencial para o ciclo de vida do organismo. Um vetor mecânico, por outro lado. é um vetor que carrega o patógeno, mas o patógeno não se modifica enquanto no vetor. A infecção em vetores mecânicos tende a ser curta e um vetor mecânico é considerado nada mais do que um fômito voador.

Moscam se alimentando numa vaca pode transmitir mecanicamente o agente do olho rosa (pink eye) entre animais.

Fômitos são objetos inanimados que podem carrear agentes infecciosos de um animal para outro. Exemplos de fômitos incluem agulhas usadas, tosqueador sujo, vestuário ou veículos contaminados, e alimentos e fontes de água contaminados. Transmissão iatrogênica é a forma específica de transmissão horizontal por fômitos, no qual o veterinário ou clínico acidentalmente auxilia na disseminação do agente por via de instrumentos contaminados ou vacinas.

No oeste dos Estados Unidos, a anaplasmose causada po Anaplasma marginale em gado é transmitida por membros dos "carrapatos duros" de gênero Dermacentor e Boophilus e portanto é uma doença transmitida por vetor. Contudo, no sudeste e meio-oeste dos E.U., a transmissão mecânica por moscas que picam e a transmissão iatrogênica com equipamento contaminado e agulhas, parecem ser mais importantes na manutenção dessa doença no gado. Procedimentos rotineiros tais como sangrar, tatuar, tirar os chifres e vacinar, pode criar uma oportunidade para a transmissão iatrogênica através de pedaços de equipamento médico contaminados, os quais servem de fômitos para o agente de doença.


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